Na estrada da vida, quem faz o caminho é você

Nessa manhã tive um sonho. O sonho foi bem cedinho e depois que acordei não consegui dormir mais, pois sentia a

necessidade de escrever o que entendi sobre ele.

Nesse sonho, eu estava em um lugar bonito que parecia um clube de férias. Descobri uma piscina enorme tanto em extensão quanto em largura. A água mesclava entre o azul e o verde de forma a lembrar uma piscina olímpica separada por raias inexistentes.

Havia cerca de duas pessoas nadando nessa piscina e fiquei com vontade de fazer o mesmo. Entrei na água e comecei a nadar. A piscina era linda e a água límpida. Era uma verdadeira tentação. E também inacreditável porque quanto mais eu nadava, mais difícil ficava ver o seu fim e mais sentia vontade de nadar.

Resolvi tentar chegar ao final dela e fui nadando pela piscina que parecia ficar inclinada como se fosse uma subida, até que, em certo ponto, a piscina já não era piscina. Era um rio de forte correnteza rodeado pela natureza de uma floresta estranha e intocada. A água límpida assumiu o aspecto de água turva, suja e cheia de folhas. Tive medo.

Lembro-me de alguém falando do perigo que tinha o local e me disseram que naquele lugar havia um crocodilo muito perigoso. Comecei a nadar ao contrário, foi assim que avistei o crocodilo. Ele era muito grande e vinha em minha direção. Estava difícil de nadar. Fiquei aterrorizada, até que cheguei ao ponto que separava a piscina linda do rio tenebroso. Nesse ponto as coisas pareceram ficar mais calmas, mesmo assim eu não podia parar, tinha que continuar fugindo para sobreviver.

Nadei mais um pouco e, enfim, cheguei à margem da piscina e saí como as outras pessoas, correndo. Disseram-me que o crocodilo vinha atrás, então, com as mesmas pessoas, entrei em uma casa abandonada com o quintal sujo e cheia de folhas secas. Todos se espalharam e começaram a se esconder do animal.

Corri para vários cantos da casa, mas não encontrava refúgio neles. Corri para um cômodo semelhante a uma área de serviço cujo teto era de telha de fibrocimento com vários buracos. Para piorar tudo, estava anoitecendo. Uma pessoa entrou no mesmo lugar que eu e, juntas, avistamos uma mesa onde poderíamos subir, mas ela não era alta o suficiente para ficarmos a salvo.

A maioria das pessoas já haviam se escondido e eu estava ali, perdida, sem abrigo, sem salvação. Virei-me para o lado oposto e havia uma porta preta que dava entrada para a casa. Eu e uma mulher negra – só me lembro desta característica dela – entramos na casa e procuramos feito loucas um local para nos escondermos.

A casa era mal iluminada, com alguns móveis velhos e mau cuidados. O piso de terra só evidenciava o abandono de tudo aquilo. Sem dúvidas, ninguém morava ali. Estava difícil de andar com tantos obstáculos e sem saber o que poderíamos encontrar ali dentro, no entanto, era nossa melhor chance.

Escutamos o barulho do crocodilo no quintal. Tentei subir em algo junto à parede, em um canto que estava escuro, pois deduzi que ali seria o local menos improvável de ele me procurar. Um lugar alto e, principalmente, escuro. A mulher ficou em um lugar a minha direita. Estávamos separadas apenas por uma pequena e estreita divisória de tábua.

O crocodilo entrou na casa e, mesmo com o medo gritando por dentro, ficamos em silêncio. Não por muito tempo.

O crocodilo andava devagar e derrubando tudo o que estava a sua frente, até que chegou a parede onde eu estava. Como se soubesse que eu estava ali, ele começou a cheirar a parede e a subir em meu rumo. Então, como num passe de mágica, eu não estava mais ali, estava na parede oposta, no chão, e, no meu lugar, estava minha companheira de esconderijo.

Embora o animal estivesse tentando pegá-la, eu sentia que ele sabia que eu estava atrás dele e que ele preferiu não me pegar, não naquele momento. Ele queria me fazer sentir medo e ter a certeza que fim eu teria. Era como se ele raciocinasse e fosse um sádico vilão que adorava ver suas vítimas sofrerem.

A mulher estava apavorada, suada, com os olhos arregalados e o cabelo todo eriçado de tanto medo. Até que o animal a capturou e ela gritou. Implorou para que ele a libertasse, pois tinha um filho que precisava dela. O crocodilo a apertou e ela disse que precisava levar o filho para a escola. Assim, estranhamente, o animal a soltou e saiu pela porta.

O filho da mulher apareceu e os dois se abraçaram. Era um menino assustado de aproximadamente nove anos de idade. Caminhamos até a saída e o lugar parecia um pouco mais claro do que antes. Saímos dali e fomos até uma estrada que dava entrada para a colônia de férias.

O restante das pessoas estava de volta, ainda assim, disseram que não era seguro estarmos ali e que precisávamos voltar, pois o crocodilo havia dado apenas uma trégua para que a mulher pudesse levar o seu filho a escola, contudo, logo voltaria para pegar todos.

Havia uma cerca de madeira que parecia não ter fim com uma espécie de portão feito de arame farpado. Do outro lado da cerca, estava mais claro do que onde estávamos e havia uma casa bonita rodeada por um campo verde. O sol começava a se por e nosso tempo a acabar.

Uma a uma, as pessoas começaram a passar para o outro lado, o da casa, com certa dificuldade por causa do arame. Chegou minha vez e, embora os arames estivessem folgados, estava muito difícil de passar, até que fiquei sabendo que o crocodilo estava voltando. Me apressei e só me atrapalhei ainda mais. Tentei passar por cima dele, mas não deu. Era como se eu tivesse a obrigação de fazer como os outros e passar por ali.

Não me lembro se consegui chegar do outro lado ou não. Só sei que acordei do sonho e, quando acordei, não me esqueci do que havia acabado de sonhar como acontecia tantas vezes. Mesmo com sono, tentei dormir novamente, não consegui porque esse sonho me incomodou profundamente e, na mesma hora, sabia o que ele queria me dizer. Sabia que ele não poderia ficar guardado apenas para mim, por isso resolvi compartilhá-lo.

Eis minha interpretação:

A piscina reta e bonita representa nossos caminhos na vida. Muitas vezes seguimos caminhos que achamos ser o melhor pra gente e nos iludimos com as coisas belas e atrativas que existem nesse mundo e então seguimos um caminho que, aos nossos olhos, parecem bons, mas, na verdade, não são.

É então que, em certo ponto da jornada da vida, encontramos um rio tempestuoso que representa nossas dificuldades, a queda e as consequências de nossas escolhas. O crocodilo representa o fim trágico de nossas vidas depois de nossas escolhas, mais precisamente, vejo o crocodilo como o diabo.

Esse foi um sonho apocalíptico que fala muito sobre os fins dos tempos. Pessoas se perdendo e seguindo caminhos aparentemente bons. Mas nem sempre podemos viver de aventuras, chega um ponto em que a trilha da vida fica apertada, cheia de pedras e acaba, é por isso que toda estrada tem um final e com a nossa não é diferente.

A própria Bíblia fala que largos são os caminhos que conduzem a perdição – esse caminho era a piscina e eu estava iludida por ela – e estreitos são os caminhos do Senhor – a luta para encontrar abrigo e fugir do crocodilo.

O fim do homem será semelhante a este sonho. Chegará um dia em que muitos verão que fizeram a escolha errada, como a fiz ao tentar desfrutar dos prazeres da piscina da vida.  No seu fim, havia perigo e perdição. Havia temor. Eu quis voltar e fazer era muito difícil.

Para conseguir retornar, enfrentei medos e a incerteza se continuaria viva ou não. Por fim, tive mais uma chance de viver. O grande demônio nos deu uma trégua, mas não demoraria a voltar para nos abocanhar. Não podíamos brincar com essa oportunidade e lutamos, mais uma vez, pela sobrevivência.

Então vimos um portão que parecia ser nossa salvação. E era. Porque esse portão dava acesso a Jesus Cristo. O portão de arame farpado tão fácil de passar e ao mesmo tempo tão difícil de ser atravessado representa nossos corações endurecidos. Estava difícil de passar justamente por causa disso, porque eu mesma me segurava num mundo de horrores.

Seguir o caminho para Jesus não é fácil, porém não é impossível. Se temos a oportunidade de conhecer a Deus melhor, então por que recusar esta chance? Não se trata de virar um crente fanático, Ele quer apenas o seu coração.

Eis que o tempo é curto e Jesus virá como o ladrão que não avisa aos moradores da casa que vai entrar. Ele arrebatará os seus e ficará apenas um verdadeiro caos sobre a face da terra. Por ordem e misericórdia do Senhor, o diabo está dando uma trégua, mas ela não durará para sempre. Em breve, o crocodilo voltará para pegar aqueles que não quebrantaram seus corações e não haverá mais escapatória. E depois que ele fizer isso, não haverá nem o caminho da morte para fugir. Haverá apenas sofrimento e terror assim como ele fez com a mulher que capturou. Não a matou de imediato, a fez sentir as piores emoções. O seu legado será de aflição e dor eternas.

Aproveite o tempo que a mãe leva a criança para a escola.

Passar pelo arame farpado e chegar ao lugar seguro depende de você.

E você, que lado da cerca vai escolher?

P.S.: Acordei do sonho com uma música na cabeça: “Jesus é o caminho” de Heloisa Rosa.

Brenda Carvalho

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