Briga de casal

Há cacos de vidro espalhados pelo chão. Eles marcam indícios de um copo quebrado.

Nas paredes, restou apenas o eco de vozes exaltadas que lutavam para ter razão.

Mas e quem tinha? Se a briga chegou a esse ponto não há um mocinho na história nem um vilão. Há aquele que começou tudo e também aquele que não se manteve calado e acendeu a chama da raiva.

Palavras impiedosas foram jogadas fora. Apesar de ruins, foram as que traduziram o que se sentiu por dentro naquele momento. Elas falaram a verdade por trás das máscaras e desvendaram sentimentos escondidos.

Uma traição foi descoberta. Quem estava errado?

Quem traiu por solidão ou quem abandonou?

Desculpas foram dadas, mas houve quem não as aceitasse, quem as condenasse. Por não aceitar, houve quem se gabasse jogando palavras de cobra.   O ódio fluiu então por quem as escutou.

Um sentimento de fúria foi revelado. Quem foi fraco, não teve forças para se defender daquele ser indomado. Um objeto cortante havia sido encravado no peito que escondia a fraqueza, mas que dava vida à uma vida agora sem vida.

Não adiantava voltar atrás.

Há fios de cabelo voando por todos os lados.

No chão, além dos pedaços de vidro, a poça do líquido humano. Sangue.

Traços de giz demarcam o corpo caído no tapete da sala, antes branco, agora vermelho prestes a amarelar.

O corpo da mulher era pura violência, o do homem, está desaparecido, assim como sua alma e toda a dignidade que ainda lhe restava antes da briga de casal.

Por Brenda Carvalho

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