Somos todos ‘burros’

Ola

Foto: ImagensTop

Somos ‘burros’ ou nos fazemos de ‘burros’? Fiz essa indagação a um colega quando conversávamos sobre nossos interesses. Tudo começou quando discutíamos o livro “Um estudo em vermelho”, de Sir Arthur Conan Doyle, autor que criou o intrépido detetive Sherlock Holmes, um dos personagens mais populares da literatura policial.

O livro é narrado sob a visão do Doutor Watson que passa a dividir um apartamento em Londres com o gênio do crime sem praticamente conhecê-lo. Em dado momento, o médico comenta com o detetive sobre a teoria heliocêntrica, a de que a Terra gira em torno do Sol. Tal conhecimento é completamente ignorado por Holmes, tanto que nem ele mesmo sabia disso.

O detetive poderia ter acesso facilitado a essa informação, uma vez que ela era tão conhecida em sua época quanto hoje conhecemos o Facebook. Holmes justifica a Watson que não sabe sobre o Sistema Solar porque não é de seu interesse e que, portanto, não faz diferença para a sua a vida. O médico fica impressionado com a resposta e se pergunta como, em sã consciência, uma pessoa poderia não saber que a Terra girava em torno do Sol.

Sherlock fez questão de deletar de sua memória o que acabara de aprender porque, segundo ele, ocuparia um espaço em seu cérebro que poderia ser usado com algo que lhe fosse útil. Isso mostrou uma característica comum a todo ser humano, a de que somos seletivos. Fazemos isso com tudo, com os amigos, amores, estudos, a maneira como gastamos o tempo etc.

Diante disso, é comum nos depararmos em diálogos em que uma pessoa sabe mais sobre determinado assunto do que nós, o que é natural, assim como há temas que dominamos mais do que outras pessoas. Eu, particularmente, adoro cinema e literatura e, se em uma discussão alguém não souber quem é Quentin Tarantino, não vou classificá-la como pouco inteligente ou inferior a mim, o que não diminuirá a sua competência intelectual. Já outras podem fazer o contrário rotulando esse ou aquele como alguém sem cultura ou ‘burro’.

As pessoas parecem impor não só suas opiniões, como também classificam o que sabem como sendo o mais importante em detrimento do conhecimento do outro, por isso acabam tachando aquele que pouco o sabe como ‘burro’. Isso não é ‘burrice’, é falta de interesse. Se não sabemos muito, é porque escolhemos não saber. Simples assim.

É aqui que respondo a pergunta inicial. Se não saber sobre um assunto de domínio de outrem faz de mim uma pessoa ‘burra’, então somos todos burros, pois não há homem na Terra que detenha a capacidade de ser Deus.

Por Brenda Carvalho

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