Não se apega, não

Nada melhor do que levar para casa aquele livro namorado há tanto tempo que é elogiado pela crítica literária ou que é o best-seller do momento. É um deleite rasgar o plástico que o embala e folhear as páginas, ler o conteúdo das orelhas, sobre o autor, a sinopse, uma carta de agradecimento do escritor e, enfim, iniciar a leitura da história.

A primeira página, geralmente, é mais tranquila e já temos a noção de que vai demorar um pouquinho para a história esquentar. É como num filme iniciado com um Grande Plano Geral usado na cinematografia para identificar o local onde a trama vai se desenrolar.

Aos poucos vamos conhecendo os personagens, algumas de suas manias e aprendemos a diferenciar os mocinhos dos vilões, os personagens principais dos secundários. Até aí, normal. As páginas vão passando e a ansiedade de que algo mais instigante aconteça só aumenta, mas de repente você se descobre na página 100 e nada de interessante aconteceu. Então resolvemos ter mais calma. Lemos mais um pouco, e mais um tanto e outro cadinho até que chega um ponto em que dá vontade de largar a leitura. Mas a página 100… Caramba, foram 100 páginas, isso pode representar a metade ou um terço de um livro, então resolvemos continuar em uma leitura sem graça e desagradável. É aí que puxamos a corda do pescoço.

Isso já aconteceu algumas vezes comigo. O primeiro deles foi o aclamado “A Cabana”. Li pouco mais de 100 páginas forçadamente e, quando vi que não conseguiria insistir mais, com muita tristeza por ter desperdiçado o meu tempo e criado expectativas, o abandonei. Essa foi a primeira renúncia de muitas. Depois vieram as mais de 100 páginas de “Um Dia”, as quase 60 de “O casamento”, e, na semana passada, apenas 37 páginas lidas de “O castelo nos Pirineus”.

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Não é porque o leitor empurrou 500 páginas para dentro da cabeça e só faltam 50 para terminar que ele tem a obrigação de finalizá-lo. Se não gostou do livro já nas dez primeiras páginas ou na de número mil, não se apega não. Largue o livro no início ou pela metade e também se permita visitar mais tarde caso sinta vontade, pois a literatura também é feita de segundas chances. Foi assim que abandonei “Não conte a ninguém”, de Harlan Coben, na vigésima oitava página e, meses após, reiniciei a obra e tive uma das melhores leituras de entretenimento da minha vida.

“O cemitério de Praga” é outro que pretendo retomar. Nele, o autor, Umberto Eco, ousa na narrativa e chega a ser inovador, no entanto, a prolixidade da obra a deixou cansativa e só parei quando cheguei na página 97.

O número, os comentários, o preço pago pelo produto, a popularidade e outros fatores que tornam um livro bom para alguns não devem ser motivos suficientes para alguém se prender na leitura. O que deve segurá-lo a um livro é o prazer da leitura sem chaves ou grilhões, caso contrário, é lixo acumulado no cérebro que serve senão para ocupar espaço e desperdiçar tempo.

Caso tenha interesse, confira os livros abandonados citados no artigo e seus respectivos autores. Talvez você goste.

A Cabana – William P. Young

O casamento – Nicholas Sparks

Um Dia – David Nicholls

O castelo nos Pirineus – Jostein Gaarder

Não conte a ninguém – Harlan Coben

O cemitério de Praga – Umberto Eco

Por Brenda Carvalho

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