Livro x Filme

Há dois grandes lutadores no ringue, de um lado, o livro, um treinador exímio, do outro, o filme, um aluno que aprendeu a se defender do treinador e ainda deu um jeito de seguir carreira solo. Prontos para começar, é dado o sinal para o início de mais uma luta que divide opiniões. Quem se sairá melhor, o livro ou o filme?

Nessa disputa é difícil nomear o vencedor, principalmente, quando o resultado é um empate. A comparação é metafórica, mas diz muito sobre a competição entre livros e filmes no universo de leitores e cinéfilos por causa da impressionante quantidade de filmes baseados em livros. Eles surgem como aposta de sucesso assim como os seus antepassados impressos. Quem lê o livro primeiro e depois assiste ao filme, ou vice-versa, geralmente, tende a dizer que o filme é uma heresia contra o seu mentor fundamental, ou seja, o livro.

Isso acontece porque é praticamente impossível um filme ser totalmente fiel ao livro e mesmo que ele siga piamente o roteiro da história, não dá para contar tudo. É aí que surgem as críticas dos leitores que se sentem enganados pela falta dos detalhes lidos com tanto fervor e que pareciam indispensáveis.

É mais fácil encontrar um leitor insatisfeito com um filme do que alguém criticar o filme sem ter lido o livro, até porque quem leu o livro conhece a história em sua essência e sabe exatamente o que vai acontecer. Se o leitor notar que algo está faltando no filme, é crítica severa na certa.

Também pode acontecer o contrário. Já gostei mais de um filme do que do livro que deu origem a ele. Foi o caso de “Um amor para recordar”, escrito por Nicholas Sparks, que é pior do que o filme. Notei algumas diferenças que, a meu ver, na época em que o li, não implicaram na melhora ou piora do filme. Para eu não fez diferença.

Há quem prefira apreciar uma boa leitura que um filme por causa da riqueza de detalhes e originalidade do impresso. É um momento para o leitor participar mais avidamente ao imaginar a trama. Já o filme estará todo pronto sem que haja a necessidade da participação do público para que ele aconteça. É como impor algo que você poderia “criar”, consequentemente rompendo o elo entre o leitor e o autor ao pular etapas que seriam necessárias. Para muitos leitores, a ausência dessas etapas e detalhes torna um longa-metragem ruim, o que não é verdade em todos os casos.

É preciso entender que, embora contem a mesma história, filmes e livros são meios diferentes que podem ser direcionados a públicos diferentes, então é natural que exista essa discrepância. Não dá para inserir todos os detalhes de um livro em um filme, pode ser cansativo e desinteressante para o público que vai assistir a obra cinematográfica, o que poderá prejudicar a bilheteria. Quem não gosta de ler pode conhecer o livro por meio de um longa-metragem que pode, sim, se sobressair ao livro caso seja bem trabalhado.

Faz-se necessário compreender que livros são livros e se o autor vendeu os direitos da obra, é também direito da produtora de cinema modificá-la para que um público maior e diferenciado seja alcançado. Se o autor permitiu que isso acontecesse, por que o leitor tem que ficar contra?

Entre livros ou filmes, prefiro os dois. O filme complementa o livro e é uma forma de materializar a imaginação do leitor que sente a necessidade de compartilhar o que sente e pensa no momento da leitura. Nesse duelo, o importante é permitir-se contemplar as duas versões porque se fosse para ser igual, existiria apenas um.

Por Brenda Carvalho

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2 comentários sobre “Livro x Filme

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