Amigo cachaceiro

bebida

O que leva uma pessoa a encher um copo com bebida alcoólica e ingeri-la como se não houvesse amanhã? Penso que para esquecer, talvez esquecer um amor que não deu certo, uma separação, os problemas não resolvidos ou a infelicidade de um amor não correspondido.

A bebida traz felicidade instantânea, felicidade ao beber uma, duas, três doses ou mais, depende da pessoa, do teor alcoólico da bebida e da experiência que se tem em levar um copo à boca.

Ela traz alegria, coragem para fazer e dizer uma vontade escondida que, por um motivo ou outro, permaneceu camuflada pela covardia de se fazer em lucidez.

Alguns ficam irreconhecíveis diante da embriaguez, pois se tornam outras pessoas. A verdade é que a bebida é, ao mesmo tempo, libertadora e carcereira. Ela liberta o verdadeiro “eu” com todas as suas vontades ocultas.

O tímido vira falador, o covarde toma coragem, o homem comum ganha superpoderes e acha que pode tudo, torna-se indestrutível a ponto de virar super herói. E se o exagero se mistura com a irresponsabilidade, surge um anti-herói ao destruir amizades e ao roubar vidas porque não tinha controle do que estava fazendo.

É como consumir algum tipo de droga, a diferença entre as outras é que a bebida é legalizada, com todos os quesitos das que empobrecem o bolso, contaminam o corpo e destroem a alma.

A Bíblia fala sobre a bebida, não a proibindo, mas dizendo do seu uso com moderação. “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;” (Efésios 5:18) ou ainda “O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio.” (Provérbios 20:1).  Alguns dizem que têm controle do que bebem, mas que homem tem coragem de frear a alegria aumentada a cada dose?

Talvez por isso as igrejas proíbam a ingestão de bebidas alcoólicas, por causa da submissão do homem ao ter dificuldade em abster-se dos prazeres da carne. Assim, a bebida aprisiona, torna o homem réu por causa de seus atos e sentimentos indisciplinados.

Por outro lado, a bebida vicia, afoga mágoas e domina o bebedor. Ela destrói casamentos, cria oportunidades e dá lugar às intrigas. Ela causa uma falsa sensação de felicidade, alegria momentânea, todo mundo vira amigo e digno de conhecer os sentimentos mais íntimos do beberrão que se dispôs a conta-los.

O que resta é dor de cabeça, enjoo, mal estar e, muitas vezes, arrependimento. Vez ou outra, até esquecimento. Daí esquece-se o beijo dado, o sexo praticado, as amizades conquistadas, os “eu amo” fulano ou beltrano sem ao menos conhecê-los e tantas outras coisas que fizeram parte da vida de um bêbado amador.

É uma felicidade enclausurada, condicionada dentro uma garrafa que se quebra com facilidade e rapidez. Se a embalagem do líquido que traz a fada verde ou de uma cor qualquer permanece intacta, só resta uma coisa, o abandono e a velha solidão. Também voltam os problemas, as dores e angústias da vida. Então o homem torna impotente, desprovido de poderes, e a alegria de outrora, aquela cuja fonte dizia-se inesgotável, parece nunca ter existido. O homem volta ao vazio.

Por Brenda Carvalho

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